Capitalismo e Esquizofrenia

Capitalismo e Esquizofrenia

Capitalismo e Esquizofrenia

Curso destinado a todos aqueles que querem envolver-se com uma clinica libertária do desejo, e tomam para si a tarefa de buscar e incorporar teorias e práticas revolucionárias, que restabeleçam o acesso direto ao desejo como modo imanente de produzir a si e a seu corpo pleno com pensamento pleno, enquanto eles, desejo, corpo e pensamento, se produzem em nós como força de existir e criar.

Curso de formação com Luiz Fuganti, em 16 aulas expositivas por módulo, com leitura e interpretação da obra Capitalismo e Esquizofrenia (volume I: "O anti-Édipo", G. Deleuze e F. Guattari). Este primeiro módulo abordará o universo das máquinas desejantes e a produção de realidade; o módulo IIserá: Psicanálise e familialismo: a santa família; o módulo III) selvagens, bárbaros e civilizados; e o IV) introdução à esquizoanálise.

O curso destina-se a quem quer pensar e praticar uma nova clínica e uma terapêutica afirmativa das diferenças. Mas também destina-se a todos aqueles que se empenham em uma ética do desejo e suas micropolíticas, e investem novos modos de governabilidade com autonomia, e desejam problematizar o estado, suas instituições, as políticas públicas, o capitalismo e os modos socioeconômicos do desejo produzir, distribuir e consumir valor. Tabém destina-se àqueles que desejam inventar outras maneiras de pensar e praticar as artes, as tecnologias, as ciências, os modos de sociabilidade, de ensino e aprendizado, de saúde. Ainda do ponto de vista da saúde mental, destina-se aos que estão na linha de frente de um combate à medicalização, à criminalização e à judicialização da vida, afirmando e investindo na composição de seus modos intensificados.

Linha de pensamento e modo de abordagem do curso:
A realidade do desejo é antes de tudo, não a de uma instância psicológica que produz imaginariamente fantasmas, delírios, alucinações, sonhos, quimeras e superstições, mas sobretudo a de uma dimensão ontológica que produz o próprio real e a si mesma como potência de produzir mais realidade, e que pode ou não coincidir com a criação ativa de si. O desejo não produz fantasma, delírio e alucinação exceto secundariamente, por efeito de uma produção desejante determinada como produção social de realidade intensiva que o preenche necessariamente.

O desejo jamais se constitui pela falta de objeto, sem a qual ele não seria desejo. A falta, antes de ser interiorizada e subjetivada, é um arranjo objetivo, um esvaziamento dos meios de objetivação.

 A produção de hiatos, vácuos, segregações e seus engendramentos de carência de objetos como reprodução das condições de sociabilidade pela produção social constituem armadilhas para arrancar o desejo de seu plano de imanência. São pressupostos para capturar desejo, operando por separação (desarranjo), rebaixamento (recalcamento/impotência) e cooptação (restauração/estruturação do sujeito/inclusão/ promoção/promessa de retorno do poder).
Ao desejo nada falta, exceto se lhe tiram o essencial, sua superfície objetiva de efetuação que lhe devolve a potência de retorno sobre si como produção de mais desejo. É como na réplica de Diógenes, o cínico, diante do imperador Alexandre, o Grande que, ao abordá-lo, se posicionou entre Diógenes e o sol que o banhava e, ao tentar seduzi-lo com mil promessas de ouro e riqueza em troca de sua sabedoria, foi cosntrangido a ouvir de Diógenes: peço-lhe apenas que não me tire aquilo que não pode me dar, insistindo para que Alexandre não se interpusesse entre ele e o sol.
Seu objeto é sempre um plano de efetuação/objetivação que necessariamente se dá.
Seu sujeito só existe como derivado, adjacente ao seu processo de efetuação, efeito residual móvel (nômade) ou fixo (sedentário).
O capitalismo precisa do sujeito como de prepostos sedentários sem os quais sua economia política e seus modos de governamentalidade não proliferam.

Para isso é preciso que o capital-dinheiro e seus estados reguladores distribuam a falta por captura e apropriação do comum. Seus atos: raptar, roubar, usurpar, sabotar as superfícies de efetuação direta do desejo, ao mesmo tempo em que libera os fluxos de desejo de seus engajamentos e territorialidades que o tornavam indisponível (movimento de desterritorialização do socius) e os libera de seus códigos ( processos de descodificação dos fluxos de desejo).

O desejo opera ou produz real através de suas sínteses de acoplamento ou conexão, sempre reinserindo o produzir no produto, isto é, produzindo a própria produção. Mas não sem produzir ao mesmo tempo o próprio registro, com suas distribuições e marcações, e produzir também o próprio consumo, com suas dores, angustias e volúpias. Estes três aspectos são inseparáveis e constituem a identidade da natureza e da industria, da natureza e do homem, da natureza e da sociedade. Antes de dividirmos o real em natural e artificial, homem/natureza, natureza/cultura, tudo é e deve ser apreendido como processo de produção, ao mesmo tempo produção de produção, produção de registro/circulação, produção de consumo, desde que não se introduza nenhuma finalidade para o processo de produção desejante, mas se encontre os modos de efetuação que fazem circular as energias desejantes em forma de libido, numen e voluptas.
O Socius capitalista a um só tempo libera todos os fluxos de riqueza e constitui o polo capital-dinheiro sem forma, como um puro-direito-abstrato de apropriação da energia humana e material, e libera todos os fluxos de atividade humana em forma de trabalho livre, energia-humana-sem-forma, disponível, disponibilizável. Mas ao mesmo tempo recalca a produção desejante nômade que insiste em seguir sem forma, se preenchendo pelo próprio acontecimento como autoprodução, reprimindo seus modos de efetuação livre e impondo a condição histórica da formação do socius atualmente existente, para ao mesmo tempo seguir capturando-o, parasitando-o, extorquindo-o, usurpando-o, mas não sem cooptá-lo ao sistema, tornando-o um dos seus.

Por mais que psiquiatria e psicanálise prossigam na sua tarefa de capturar o inconsciente; e tentem controlar essa sua realidade que lhes escapa, e por isso mesmo não a designam senão negativamente (o-não-consciente); por mais que já tenham feito e continuem fazendo do inconsciente uma substância a se domar, uma matéria caótica a estruturar, uma fonte de desejo selvagem e/ou perverso a recalcar e a intencionalizar, o revide do desejo (e suas linhas de fuga) se mostra implacável. O desejo intensificado não se deixa esmagar nem deixa de se exceder em sua efetuação necessária e incontinente. Por mais que se tente, jamais o controlarão, exceto na ficção dos delírios dos poderes tristes.

 

Curso Online

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Aulas

Comentário ( 1 )

  • Foto de perfil de Cristina Veloso

    Olá Luiz… Aqui estou recebendo ainda a oitava aula. Então, to em outro tempo..Nomadismo…rsrs
    Quero só deixar registrado que até aqui, o curso em me ajudado a colocar luz sobre algumas questões na clinica.
    Embora, eu tenha leituras de Deleuze nunca tinha encarado o anti Édipo, acho que sozinha ia
    ficar difícil. Saio das aulas bem mexida e encontro na clinica as pontes.
    Deixo aqui a minha alegria e contentamento nestes encontros

    Um abraço
    Cristina Veloso

    .

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